Estranhos estes tempos. Em 1980, Lula e vários companheiros seus ajuntavam-se, promoviam greves contra o “arrocho salarial”, demissões e tal, experimentando borrachadas da polícia e, vez ou outra, eram presos. Não consta que, no estádio da Vila Euclides, foram feitas loas a empresários. Formaram o sindicato mais temido da classe empresarial. Articularam-se com intelectuais esquerdistas da USP, da PUC, de universidades federais, e todas elas viraram pólos irradiadores do esquerdismo brasileiro. Desde sempre, nossos intelectuais e políticos de esquerda morrem de amores e vertem lágrimas de jacaré por Allende, Fidel, Che e suas experiências de sucesso.

Em 1990, Fidel e Lula articulam o Foro de São Paulo, aliança ocultada de partidos e grupos terroristas e narcotraficantes, para delinear a política da América Latina contra o neoliberalismo. Sempre amenizaram as penas de seqüestradores, quando não os apoiaram abertamente, de famosos empresários brasileiros, de Abílio Diniz a Washington Olivetto. Nunca apoiaram Israel e, quando Arafat morreu, o PT chorou. Fizeram convênios de troca de informações com o Partido Comunista Chinês e o Partido Socialista Baath Sírio.Orgulham-se de trafegar muito bem entre as esquerdas européias e trocar experiências entre si. Toneladas de livros e centenas de editoras brasileiras se formaram nessa doutrina. A maioria da elite petista foi presa por participar de ação armada na esquerda revolucionária.
Na campanha de 2002, foram obrigados a baixar o tom para parecerem bons moços. José Dirceu é filmado no documentário “Entreatos”, dizendo ao publicitário Duda Mendonça: “tá muito petista isso, tá muito petista. Precisa reescrever essa fala, tá muito petista...”.
No III Congresso do PT, o socialismo é reafirmado claramente como meta política.
E eis que, em meados deste ano, o empresário Emílio Odebrecht apresenta uma afirmação que me deixou pasmo:
“O presidente Lula não tem nada de esquerda, nunca foi de esquerda”.
Então fui percebendo o tamanho do monstro em que aquilo se tornava. Hoje, graças a Emílio Odebrecht, fico contente e redimido, pois em 2002 eu não votei em um esquerdista. E a política econômica do atual governo atesta o que eu digo.
Temo pelo futuro político de Lula. Se continuar assim, logo ele terá de cerrar fileiras com os Democratas.
Afinal, isso tudo não é um legítimo jogo de quatrilho? Agora por favor: me corrijam se eu estiver errado.





Após ser 

